terça-feira, 31 de março de 2009

A ESCOLHA




Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.
Sempre que fazia prisioneiros, não os matava: levava-os a uma sala onde havia um grupo de arqueiros de um lado e uma imensa porta de ferro do outro, sobre a qual viam-se gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue. Nesta sala ele os fazia enfileirar-se em círculo e dizia-lhes, então:
"Vocês podem escolher entre morrerem flechados por meus arqueiros ou passarem por aquela porta e por mim serem lá trancados".
Todos escolhiam serem mortos pelos arqueiros.
Ao terminar a guerra, um soldado que por muito tempo servira ao rei dirigiu-se ao soberano:
-Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?
-Diga, soldado.
-O que havia por detrás da assustadora porta?
-Vá e veja você mesmo.
O soldado, então, abre vagarosamente a porta e, à medida em que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente... E, finalmente, ele descobre, surpreso, que...
...a porta se abria sobre um caminho que conduzia à LIBERDADE !!! O soldado, admirado, apenas olha seu rei, que diz: - Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar-se a abrir esta porta.
Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar?
Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?
Pense nisso

quinta-feira, 26 de março de 2009

"Existo, logo penso"


Assim falou Nietzche:


"Entre minhas obras ocupa o meu Zaratustra um lugar à parte. Com ele fiz à humanidade o maior presente que até agora lhe foi feito. Esse livro, com uma voz de atravessar milênios, é não apenas o livro mais elevado que existe, autêntico livro do ar das alturas [...] é também o mais profundo, o nascido da mais oculta riqueza da verdade, poço inesgotável onde balde nenhum desce sem que volte repleto de ouro e bondade " Nietzsche



Assim falou Zaratustra:


O homem é uma corda atada entre o animal e o supra-homem , algo a ser superado.


A vida é aqui e agora. Nada mais que isso. Querer qualquer coisa depois da vida é querer o nada. Na vida, tudo é transitório, nada é fixo.


Zaratustra vem ensinar que o homem deve vencer a si mesmo e que este combate não tem fim nem descanso. Por isso o homem fraco se desespera com a vida e busca sempre um porto fixo onde possa fingir que a vida é outra coisa e se livrar do desespero.

O tempo, nessa concepção, é um anel perfeito. Sem inicio nem fim, é uma estrada que só pode ser conhecida no portal do instante. Deste portal segue uma estrada infinita para trás e para frente, sendo o instante o ponto onde as duas estradas se encontram. Assim todas as coisas já aconteceram e irão acontecer novamente numa repetição infinita. Este eterno retorno é o mais pesado dos pesos. E Zaratustra é, antes de tudo, "o mestre do eterno retorno". Apresenta-o, por um lado, como assustador quando não mortífero e, por outro, como libertador, como a "fórmula suprema da afirmação". A existência, tal como é, sem sentido ou alvo, mas retornando inevitavelmente, sem um final no nada: 'o eterno retorno' . É a forma mais extrema do niilismo: o nada (o 'sem-sentido') eterno!

Todos os que perderam o sentido da vida, estão a procura do novo sentido, a grande esperança.

Mas os homens superiores não estavam preparados para o novo sentido e buscam o que adorar no lugar do Deus morto. E começam a adorar o jumento como encarnação da doutrina de Zaratustra, pois o jumento sempre diz: IA! (em alemão: sim!) Zaratustra os chama de volta a consciência. Os homens superiores estão longe de serem aquele que Zaratustra veio anunciar! Mas também descobriram satisfação com um instante que valeu a vida inteira. “Era isto a vida? – direi a morte. – pois bem: repita-se!” Com Zaratustra festejaram e embriagaram-se e na manhã seguinte eis que surge o leão que acaricia Zaratustra e põem em fuga os homens superiores . É o leão do “eu quero” que enche Zaratustra de alegria como que anunciando que o supra-homem está próximo, mas desperta o medo em todos os homens superiores . Medo da vontade livre que tudo quer e que sabe que deve destruir o velho para que o novo seja criado.



"
Aquilo que se faz por amor, parece ir sempre além dos limites do bem e do
mal."
Nietzsche

"Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas. Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter e mudar as nossas opiniões."
Nietzsche

"Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você."
Nietzsche

"És
jovem e desejas filhos e casamento. Mas eu te pergunto : és vencedor de ti próprio, és o soberano dos teus sentidos? Ou fala em ti a necessidade física, o isolamento, a discórdia contigo próprio?" Nietzsche

"Se queres elevar-te, exercita a arte de esquecer."
Nietzsche

quinta-feira, 19 de março de 2009

Ser ou Não Ser....


Eu tava aqui pensando desde a criação desse meu novo blog, o que postar? São tantas coisas pra escrever que me confundo dentro delas, pq acredito que cada coisa tem o momento certo pra ser dita, mas fiquei em dúvida de como começar...Aí pronto! Diante dessa palavra me veio uma frase:

" Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."William Shakespeare


E com isso lembrei de HAMLET! Ele tb teve dúvida de como agir. Se ele teve eu tb posso ter, né? Afinal, uma obra de ficção tem que ter uma verossimilhança com o mundo real, para que possamos nos aproximar da história, certo??....kkkkkkkkkkkkkk


Um pouquinho de Hamlet....

Hamlet é a peça mais longa de Shakespeare, e provavelmente a que mais trabalho lhe deu, mas encontrou nos tempos um espaço que a consagrou como uma da mais poderosas e influentes tragédias em língua inglesa: durante o tempo de vida de Shakespeare, a peça estava entre uma das mais populares da Inglaterra e ainda figura entre os textos mais realizados do mundo.



O texto abaixo é momento em que HAMLET olha uma caveira e diz " ser ou não ser, eis a questão", onde ele indaga a si mesmo a condição que deveria seguir, a escolha a tomar, quando descobre as ações de seu tio para possuir o trono da Dinamarca. O tio matou seu pai e ainda engravidou a mãe. O texto relata a dor e o o sofrimento de Hamlet.




"Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre


Em nosso espírito sofrer pedras e setas



Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,


Ou insurgir-nos contra um mar de provocações


E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.


Dizer que rematamos com um sono a angústia


E as mil pelejas naturais-herança do homem:


Morrer para dormir... é uma consumação


Que bem merece e desejamos com fervor.


Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:


Pois quando livres do tumulto da existência,


No repouso da morte o sonho que tenhamos


Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita


Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.


Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,


O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,


Toda a lancinação do mal-prezado amor,


A insolência oficial, as dilações da lei,


Os doestos que dos nulos têm de suportar


O mérito paciente, quem o sofreria,


Quando alcançasse a mais perfeita quitação


Com a ponta de um punhal?


Quem levaria fardos,


Gemendo e suando sob a vida fatigante,


Se o receio de alguma coisa após a morte,


–Essa região desconhecida cujas raias


Jamais viajante algum atravessou de volta


–Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?


O pensamento assim nos acovarda, e assim


É que se cobre a tez normal da decisão


Com o tom pálido e enfermo da melancolia;


E desde que nos prendam tais cogitações,


Empresas de alto escopo e que bem alto planam


Desviam-se de rumo e cessam até mesmo


De se chamar ação."






Nossa! Eu tô doida pra assistir essa montagem com o Wagner Moura!!!

Então vamos todos prestigiar essa grande junção atual no teatro....

Shakespeare + Aderbal + Wagner = HAMLET!

E VIVA O TEATRO!
Hasta La Vista!
Espero que curtam a dica!